domingo, 22 de maio de 2011

Personalidade embargadora dogmática

Não sei o que sinto. Ou melhor..sei, mas prefiro não saber. Dor, angústia, arrependimento, tristeza, frustração...e não consigo deixar de me culpabilizar por tais sentimentos..! Tais feridas, abertas por algo que, no fundo, é tão superficial! Já não é só o capricho de não sentir aquela vergonha. É a vontade de me sentir "eu" de novo. É a vontade de me sentir livre, de certa maneira, pela primeira vez.
Há alturas na vida de uma pessoa em que todas as suas crenças; todas as suas teorias; todas as suas vontades, desejos e qualidades se vêem forçadas a desaparecer. Há alturas em que certas pessoas com certas atitudes; certas situações que comportam certas responsabilidades nos forçam a ver o mundo de outras perspectivas. E isso nem sempre é mau! O "problema" é que, na maioria das vezes, posso garantir que, essas perspectivas nos trarão novas "qualidades"; novas crenças; novas teorias, vontades e desejos...e, muito provavelmente, acabaremos por nos tornar quem sempre afirmámos nunca ser. Mas o verdadeiro "problema" está em quem não se apercebe dessas mudanças. Está nas pessoas que se deixam levar pela suposta civilização; pelas regras, normas e leis! Por caprichos e injustiças. Pelo "normal" imposto por pessoas que se auto-intitularam no direito de padronizar a sociedade, à sua maneira e imagem.
Pois agora chegou a minha altura. Chegou a altura em que a minha personalidade está a ser posta à prova...a minha força de carácter é mandada a baixo por padrões que dizem que os outros são melhores que eu. Pelos "erros" cometidos no passado, enquanto mulher de paixões, corro o risco de receber um certificado brevemente que dirá que NÃO SOU melhor que muita gente...que sou uma falhada. Há quem diga que não é tarde para evitar esse risco, e é o meu maior desejo acreditar que a probabilidade de o evitar é maior do que a de efectivamente acontecer...a questão é que, no fundo, o realismo em mim é, nesta situação, inevitavelmente, mais forte.



A questão aqui não é apenas a preocupação com o que os outros pensarão: com os estigmas com que o meu profissionalismo ficará...a questão é, afinal de contas, o que penso eu de mim? do que serei eu então capaz? eu que, sendo humana, me deixo abalar desta maneira por inseguranças sem fundamento?









Não sei o que sinto. Ou melhor..sei, mas prefiro não saber.